Carta aberta à população

Pela preservação do Instituto Adolfo Lutz e pelo fortalecimento integrado da saúde pública

São Paulo e o Brasil precisam de hospitais públicos modernos, inteligentes e tecnológicos. Mas também precisam preservar instituições estratégicas de vigilância em saúde, como o Instituto Adolfo Lutz.

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O hospital é importante

A ampliação da assistência, da tecnologia e da capacidade hospitalar pública é necessária para fortalecer o SUS.

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O IAL é indispensável

O Instituto Adolfo Lutz é estrutura essencial de vigilância laboratorial, sanitária, epidemiológica e ambiental.

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Integração é o caminho

Hospital e laboratório de saúde pública não competem. Eles se complementam e devem atuar de forma integrada.

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Desmonte é risco

Qualquer transferência ou demolição sem plano público, técnico e transparente pode gerar grave risco sanitário.

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Carta aberta à população

A população de São Paulo e do Brasil recebeu com interesse a notícia da construção do primeiro hospital inteligente público do SUS, vinculado ao projeto do Governo Federal em parceria com o Banco do BRICS. A criação de hospitais modernos, tecnológicos, integrados, com maior capacidade assistencial e voltados à inovação é uma iniciativa importante e necessária para o fortalecimento do sistema público de saúde.

Defendemos a ampliação da assistência hospitalar, o uso de novas tecnologias, a melhoria dos fluxos de atendimento e a modernização do SUS. O Brasil precisa de hospitais públicos fortes, inteligentes e capazes de responder às demandas atuais e futuras da população.

No entanto, a implantação de um novo hospital não pode ocorrer à custa do enfraquecimento, da desmobilização ou da perda de capacidade operacional de outra instituição essencial: o Instituto Adolfo Lutz.

O hospital atende, trata e salva vidas no cuidado direto aos pacientes. O laboratório de saúde pública detecta riscos, confirma diagnósticos, identifica surtos, monitora agentes infecciosos e ajuda a impedir que crises sanitárias se ampliem.

A importância do Instituto Adolfo Lutz

O Instituto Adolfo Lutz é uma das mais importantes instituições de saúde pública do país. Com 134 anos de história, atua como laboratório central de saúde pública, referência técnica e científica em vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e laboratorial.

Sua atuação envolve centenas de tipos de exames, diagnóstico de doenças de alta relevância, investigação de surtos, controle de qualidade de água, alimentos e produtos de interesse sanitário, vigilância de vírus respiratórios, arboviroses, meningites, botulismo, tuberculose, microrganismos emergentes e outros agravos de importância nacional e internacional.

O IAL não é apenas um conjunto de prédios. É uma infraestrutura estratégica do Estado brasileiro.

Ali estão laboratórios especializados, equipamentos, protocolos validados, equipes altamente treinadas, coleções microbiológicas, biobancos, acervos históricos, séries epidemiológicas, conhecimento técnico acumulado e capacidade de resposta construída ao longo de mais de um século.

O hospital inteligente também é necessário

A construção de um hospital inteligente pode representar avanço importante para o SUS. A incorporação de tecnologias digitais, inteligência artificial, telemedicina, conectividade, integração de dados e novos modelos assistenciais pode ampliar a capacidade de atendimento, qualificar fluxos e fortalecer a rede pública.

O problema, portanto, não é a existência do hospital. O problema é qualquer possibilidade de que sua implantação ocorra mediante enfraquecimento de outra estrutura essencial da saúde pública.

Não se trata de oposição ao hospital inteligente. Trata-se da defesa de que a expansão da assistência hospitalar deve ocorrer junto com a preservação e o fortalecimento da vigilância em saúde.

Informações desencontradas e ausência de manifestação oficial

Causa preocupação a circulação de informações internas, ainda sem manifestação oficial clara do Governo do Estado de São Paulo, sobre a possibilidade de desmobilização, transferência ou demolição de estruturas do Instituto Adolfo Lutz para viabilizar a construção do hospital inteligente na região do chamado quadrilátero da saúde.

Até o momento, não há conhecimento público de um plano formal, transparente e tecnicamente detalhado que informe para onde o Instituto seria transferido, como seriam preservados seus laboratórios, como se garantiria a continuidade dos exames, como seriam protegidos seus acervos biológicos, como ocorreria a validação das novas estruturas e como seria evitada a interrupção de atividades críticas para a vigilância em saúde.

Informações verbais e desencontradas não são suficientes para tratar de uma instituição dessa magnitude. A eventual transferência do Instituto Adolfo Lutz não pode ser conduzida como simples mudança administrativa ou imobiliária. Trata-se de uma operação de alto risco sanitário, científico, logístico e institucional.

Hospital inteligente e IAL devem coexistir

Um sistema de saúde resiliente não escolhe entre assistência e vigilância. Ele fortalece as duas.

A construção de um hospital inteligente deve ocorrer em integração com as instituições já existentes, especialmente aquelas responsáveis por proteger a população antes que os agravos se transformem em internações, surtos ou emergências sanitárias.

Hospital e Instituto Adolfo Lutz devem coexistir, dialogar e se fortalecer mutuamente. O que não pode ocorrer é que a construção de uma nova promessa para a saúde pública resulte no desmonte de uma estrutura que há 134 anos protege silenciosamente a população.

Consequências de um eventual desmonte

A desorganização do Instituto Adolfo Lutz poderia gerar consequências graves para São Paulo e para o Brasil. Entre elas, destacam-se:

Parte dessa estrutura envolve laboratórios de contenção biológica, coleções microbiológicas, biobancos e materiais que exigem rigor extremo de biossegurança, rastreabilidade, transporte, armazenamento e continuidade operacional.

A saúde pública não pode ser tratada apenas como obra. Ela depende de instituições, memória técnica, ciência, vigilância, profissionais especializados, continuidade operacional e responsabilidade pública.

Linha do tempo resumida

134 anos de história

O Instituto Adolfo Lutz consolida uma trajetória de atuação em saúde pública, vigilância laboratorial, pesquisa, diagnóstico de referência, controle sanitário e resposta a emergências.

Anúncio do hospital inteligente

O Governo Federal anuncia projeto de hospital inteligente público do SUS, em parceria com o Banco do BRICS, com proposta de inovação tecnológica, integração assistencial e modernização da saúde pública.

Circulação de informações internas

Passam a circular informações não oficialmente esclarecidas sobre possível uso de áreas ocupadas por estruturas do Instituto Adolfo Lutz, gerando preocupação entre trabalhadores, pesquisadores e setores ligados à vigilância em saúde.

Ausência de plano público conhecido

Até o momento, não há conhecimento público de documento detalhado que apresente local definitivo, cronograma, transição laboratorial, validação de novas estruturas e garantias de continuidade dos serviços críticos do IAL.

Necessidade de transparência

Diante da relevância do Instituto, torna-se necessária manifestação formal das autoridades responsáveis, com apresentação de informações oficiais, técnicas, documentadas e acessíveis à população.

Perguntas públicas que precisam ser respondidas

Antes de qualquer intervenção física, transferência, desmobilização ou demolição envolvendo estruturas do Instituto Adolfo Lutz, é necessário que as autoridades responsáveis respondam publicamente:

  1. Existe decisão oficial sobre demolição, transferência ou desmobilização de prédios do Instituto Adolfo Lutz?
  2. Qual órgão tomou essa decisão e onde está publicado o documento correspondente?
  3. Qual é o local definitivo previsto para a realocação do Instituto ou de suas unidades afetadas?
  4. Esse local já possui infraestrutura laboratorial compatível com as funções atuais do IAL?
  5. Como serão mantidos os laboratórios de contenção biológica e os níveis de biossegurança necessários?
  6. Como será garantida a continuidade dos exames de referência e das atividades de vigilância?
  7. Como serão preservados os biobancos, coleções microbiológicas, cepas de referência e acervos históricos?
  8. Qual será o plano de transporte, rastreabilidade e segurança dos materiais biológicos?
  9. Haverá validação técnica independente das novas instalações antes de qualquer mudança?
  10. Os trabalhadores, pesquisadores e especialistas do IAL participaram efetivamente do planejamento?
  11. Há estudo de impacto sanitário, científico, logístico, ambiental e financeiro da eventual transferência?
  12. Quais atividades poderiam ser interrompidas ou reduzidas durante o processo?
  13. Que medidas serão adotadas para impedir perda de capacidade técnica, evasão de profissionais e descontinuidade científica?
  14. Por que não foram apresentadas alternativas locacionais que preservem integralmente o Instituto Adolfo Lutz?
  15. Qual é o compromisso formal do Governo do Estado de São Paulo com a preservação plena do IAL?

Solicitação às autoridades

Por isso, solicitamos transparência, responsabilidade técnica e diálogo público. É indispensável que o Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde, o Governo Federal, a Universidade de São Paulo, as comissões envolvidas e os responsáveis pelo projeto apresentem informações oficiais, documentadas e acessíveis sobre qualquer plano que envolva áreas, prédios, laboratórios, acervos, equipes ou atividades do Instituto Adolfo Lutz.

Antes de qualquer intervenção física, transferência ou demolição, é necessário garantir:

Conclusão

Construir o futuro do SUS exige tecnologia e hospitais modernos. Mas também exige respeito às instituições que protegem a população antes que a doença chegue ao leito hospitalar.

Preservar o Instituto Adolfo Lutz é preservar a capacidade de São Paulo e do Brasil de detectar, prevenir e responder a ameaças à saúde pública.

São Paulo e o Brasil precisam do hospital inteligente. São Paulo e o Brasil também precisam do Instituto Adolfo Lutz preservado, fortalecido e integrado às novas estratégias de saúde pública.

Referências públicas para consulta